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Mostrando postagens com o rótulo Fotografia de Moda

A maioria das "Claudias" são donas de casa - a família na fotografia de moda em Claudia (1960)

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    Lançada no mercado brasileiro em 1961 e em circulação até os dias atuais, Claudia se desenvolveu imbricada à modernização da sociedade brasileira e a constituição da sociedade de consumo. Voltada para a mulher de classe média alta emergente, a revista vinha com o objetivo de ser um guia para a “mulher moderna”. Entretanto, este ideal de modernidade difundido pela publicação funcionava como um verniz, ou seja, um modelo de feminilidade moderno e cosmopolita na aparência, mas que ainda é marcada pelo ideal de domesticidade da “rainha do lar” do período anterior. Deste modo, a maternidade é um tema recorrente em Claudia. Além de anúncios publicitários de produtos infantis, como alimentos e brinquedos, é possível observar constantemente matérias que buscam orientar, aconselhar, informar sobre a educação desde bebês até adolescência. Segundo Isabella Cosse (2010), a partir dos anos 1960 diversos movimentos incidiram sobre a configuração das identidades masculinas e femini...

A expressividade de Klaus Mitteldorf

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    Acervo Klaus Mitteldorf, 1997   Klaus Werner Mitteldorf, é um fotógrafo e cineasta germano-brasileiro. Nascido em 1953, formou-se em arquitetura em 1979 pela Faculdade Brás Cubas, de Mogi das Cruzes, mas não exerce a profissão. Iniciou seus trabalhos na fotografia na década de 1970, como fotógrafo de surfe, trabalhando em revistas como Brasil Surf e Surfing. Na seguinte, especializa-se em fotografia de moda e publicidade, colaborando com as revistas Vogue, Elle e Playboy na Europa e no Brasil, e trabalha para grandes agências de publicidade brasileiras e européias.  Seus trabalhos são caracterizados pelo que conhecemos como "fotografia-expressão", movimento estabelecido a partir da segunda metade do século XX, "quando, tendencialmente, as características que marcaram a Fotografia Documento (objetividade, imparcialidade e neutralidade - a verdade incontestável dos fatos; imagem máquina) foram postas em dúvida." (GONÇALVES, 2017, p. 46.) E que, por meio da...

Ciborgue: corpos high-tech na fotografia de moda

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    Helmut Newton: “Machine age”; Vogue , novembro 1995. Modelos deconhecidas e Kristen McMenamy. A mulher artificial, criada pela tecnologia, é um tema recorrente nos escritos e nas imagens de moda, desde o surgimento das modelos no século 19. Com seu modo ensaiado de caminhar, sua feminilidade performática e suas expressões faciais vazias e impessoais, a modelo desde cedo foi comparada com o autômato. Os próprios termos “manequim” e “modelo” (originalmente associado ao protótipo de roupa desfilado) já indicam essa proximidade da mulher com o produto vendido.    Essa associação ganha novos contornos no final do século 20, quando avanços na medicina e na informática se misturam com novas concepções filosóficas do humano e com um repertório de fantasias e temores plasmados na literatura e no cinema de ficção científica em um fenômeno conhecido como “pós-humanismo”. A moda explorou com fascínio a figura do “organismo cibernético”, ou ciborgue: criatura híb...

Cadáver: violência e morte na foto de moda dos anos 1970

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  Chris von Wangenheim; Harper’s Bazaar Italia , 1978. Modelo: Shelley Smith Nos anos 1970, as revistas de moda se enchem de imagens violentas: acidentes de carro, tiroteios, assassinatos. Tudo muito sexy e glamouroso, com maquiagens extravagantes, cabelos impecáveis, brilhos, fendas, decotes, nudez. A “revolução sexual”, a legalização da pornografia nos EUA e o clima de desbunde depois das convulsões sociais dos anos 60 combina-se com um interesse renovado na elegância perigosa dos filmes noir e dos clássicos de Hitchcock, numa mistura explosiva de sofisticação e vulgaridade denominada “pornô-chic”. Sempre controversa, a obra de Guy Bourdin, Helmut Newton e Chris Von Wangenheim, entre outros fotógrafos praticantes do gênero, talvez seja ainda mais chocante nos dias de hoje. Feministas sempre acusaram essas fotos de promoverem a glamourização da morte e da violência contra a mulher. Esses fotógrafos, no entanto, fazem parte do panteão dos criadores de imagens de moda mais f...

Manequim: o corpo surrealista na fotografia de moda

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    Man Ray: “La mode”, 1925 O manequim é uma figura recorrente no surrealismo, presente em pinturas, instalações, poemas e até no Manifesto do Surrealismo (1924) de André Breton. Faz sentido, portanto, que ele apareça com frequência também na fotografia de moda de inspiração surrealista. Isso porque o manequim é um exemplo perfeito do conceito de “beleza convulsiva”: a ideia de que a beleza está presente naquilo que oscila entre a vida e a morte, a estase e o movimento, passado e presente, o orgânico e o inorgânico. Para os surrealistas, belo é aquilo que não tem identidade fixa, que não tem uma forma estável, mas que convulsiona entre diferentes estados de existência. O fascínio da moda com o corpo artificial já estava em evidência na tendência da modelo como estátua, como visto no post anterior. Ao contrário da estátua grega, entretanto, o manequim não conota a eternidade da beleza ideal, nem a imobilidade serena do corpo de pedra. O manequim é feito para ser desmon...

Estátua: classicismo na fotografia de moda

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    George Hoyningen-Huene: “Evening dress by Paquin”; Vogue , 1934. Nos anos 1930, a Vogue aderiu à moda do classicismo, vista principalmente no trabalho de dois fotógrafos: George Hoyningen-Huene e Horst P. Horst. Em suas imagens, geralmente feitas em estúdio, modelos assumem poses de estátua grega entre colunas, urnas e fragmentos de escultura. A frieza e rigidez do mármore casam-se perfeitamente com o glamour gélido e indiferente da modelo, que mesmo diante dos nossos olhos parece habitar um outro universo, mais elegante e rarefeito.  Elas encarnam um ideal abstrato: um corpo padrão, “neutro”, que exclui todos os desvios da norma - branco, magro, sem deficiências. Estátuas gregas têm o rosto sempre igual; nas fotos de Huene e Horst, os rostos são muitas vezes ocultos pela pose (que privilegia as costas), por acessórios (chapéus, véus) ou por sombras, apagando a identidade da modelo, que assim se aproxima da impessoalidade de uma “forma pura”.   ...

Corpos artificiais e inanimados na foto de moda

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  Steven Klein: “Suburbia #23”. Vogue , agosto 2012. Quando se fala em representação da mulher nas imagens midiáticas, um tópico recorrente é a ideia de objetificação – normalmente no sentido de objetificação sexual para o prazer do “olhar masculino”. Na fotografia de moda, entretanto, a objetificação muitas vezes assume um caráter mais literal: impecavelmente adornadas, em poses rígidas, o rosto sem expressão, as modelos parecem se transformar em objetos inanimados, em elementos decorativos compondo a cena com as mercadorias em exibição, que assumem a função de protagonistas da imagem. Seres humanos e peças à venda, portanto, trocam de lugar; os objetos parecem dotados de uma personalidade sedutora, enquanto as mulheres se transformam em mercadorias de luxo, fabricadas minuciosamente a partir de materiais ricos.  O glamour – uma estética que combina perfeição formal, artificialismo, opulência e frieza – parece mesmo depender da capacidade de transformação do corpo viv...

A introdução da fotografia nas capas da Vogue América

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A primeira capa fotografada a cores, por Edward Steichen, em julho de 1932 ©Vogue Archive; Condé Nast Archive   A introdução da fotografia de moda e sua utilização nas revistas se dá algumas décadas após a criação e consolidação dessas. Os diretores de arte das publicações se tornam peças-chave, influentes, na substituição das antigas ilustrações das páginas por fotografias, alguns até mesmo se tornando os principais fotógrafos dessa geração.  Adolf Meyer, mais tarde conhecido como Barão, foi um fotógrafo francês que teve participação ativa nesse cenário, sendo reconhecido como precursor da fotografia de moda ao se tornar fotógrafo chefe da Vogue americana entre os anos de 1913 e 1921. Segundo o escritor Cláudio Marra (2008, p. 85 apud MAGER, 2013, p.25) com Meyer, pela primeira vez se estabelece uma união forte e explícita entre arte e moda com fotografias pictorialistiscas, tentando aproximar sua obra das de grandes pintores. Sua técnica utilizava muitos contraluzes, efeitos...