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O vestido no MHN: remusealização e classe

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    Vestido de Maria Bonita na exposição Cidadania em Construção. Fonte: Museu Histórico Nacional /Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).  Foto de José Caldas O Museu Histórico Nacional é reconhecido por possuir uma boa quantidade de acervo em Indumentária Histórica. Porém, quando um especialista entrou em contato com o museu, nos idos de 1980, informando que o MHN possuía um vestido de Maria Bonita, ele não foi localizado de imediato, pois havia sido selecionado para o descarte. Mas a partir da descrição, dada pelo especialista, foi identificado numa sala em que ficavam outros objetos que iriam ser descartados.  Identificado, foi retirado do status de objeto selecionado para o descarte e remusealizado (conceito proposto pelo Professor Dr. Bruno Brulon) - pois ainda que o vestido não tenha sido descartado, no sentido de não mais estar nas dependências do MHN, além da intenção, houve a determinação dessa escolha pelo museu. Musealizar ou remusealizar são processo...

O vestido de Maria Bonita estava na moda

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  Vestido de Maria Bonita em mesa da Reserva Técnica do MHN - Foto de Bruno Chiossi – 2019 O vestido de Maria Bonita, parte do acerco do Museu Histórico Nacional, se alinha às tendências da moda internacional das décadas de 1920 e 1930, de nítida influência Art Deco e dos movimentos feministas do período dos entreguerras. Essas tendências se pautaram, principalmente, em um padrão geometrizado em termos de formas, como a estrutura evasê das saias e dos ornatos estilizados. Florais ou geométricos, esses ornatos conferiam o toque “feminino”, inclusive pelo uso de cor sobre os fundos cáqui, como podemos perceber nas gregas e nos ziguezagues, além dos elementos estelares, em soutages, nos bolsos do vestido do MHN. A tendência geometrizante da modelagem de corpetes, saias e mangas mais ajustadas e com menos panejamentos conferia mais mobilidade às novas mulheres que surgiam nos anos 20 e 30, principalmente nas cidades, e mais atuante na sociedade, inclusive como força de trabalho. A di...

O vestido musealizado de Maria Bonita tem um zíper

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    Vestido de Maria Bonita em mesa da Reserva Técnica do MHN - Foto de Bruno Chiossi – 2019 O vestido musealizado de Maria Bonita é cáqui, tem soutages vermelhos em zigue zague, costurados por máquina, cujo acabamento é embutido (o que, na costura, é considerado um acabamento refinado), bolsos laterais, é de algodão e sua tecelagem é a sarja - todos elementos que compõem a estética cangaceira. Como se encontra hoje no Museu Histórico Nacional, apresenta remendos, ao que parece, costurados com o mesmo tecido com o qual foi feito. Tem um furo no centro, que não foi recosturado, o que pode indicar a presença de rasgo por arma de fogo, visto que estava com Maria no momento de sua morte. Mas, para comprovar essa hipótese, é preciso ser submetido a exames laboratoriais. Também apresenta manchas que, sem exames apropriados, não há como saber o motivo que as causou ou por quais elementos, sem excluir a possibilidade de serem causadas por sangue. Sobre essas marcas físicas, visí...

Maria Bonita e seus vestidos

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    Maria Bonita posa para uma das fotos que ajudou a popularizar a personagem histórica.  Autor: Benjamin Abrahão  Data: 193 Nascida em 1911, em Malhada da Caiçara/BA, a mais conhecida mulher do Cangaço, Maria Gomes de Oliveira cresceu como Maria de Déa, em referência ao apelido de sua mãe, Maria Joaquina Conceição de Oliveira ou Dona Déa. Mulher, nordestina, sertaneja, como cangaceira levou uma vida nômade, foi perseguida pelas volantes e assassinada, em 1938, no episódio conhecido como Cerco de Angico, em Sergipe. Depois que morreu entrou para a história como Maria Bonita.  Sobre a materialidade que compõe a vestimenta de Maria Bonita, algumas passagens da vida e da morte, e até a construção de memórias da cangaceira, estão ligadas, de diferentes maneiras, aos seus vestidos - nada de extraordinário, se considerarmos que somos uma sociedade vestida, que faz da roupa uma forma de comunicação - que, a propósito, descobre o peito de corpos masculinos, mas...