Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Revista Fon-Fon

A polêmica das jupe-culottes nas páginas de Fon-Fon

Imagem
Capa da revista Fon-Fon , 1911, n.12. A moda foi uma das estratégias de luta encontradas por muitas mulheres para subverter representações/imagens que informavam comportamentos e papéis femininos. Não é à toa que, durante o ano de 1911, o uso das jupe-culottes (saia-calção) causou tanta polêmica, discussões e reações acaloradas nas páginas da revista Fon-Fon. O uso deste traje dividia a opinião pública e foi identificado com a modernidade e com o feminismo. Este último visto como um amontoado de propostas vazias, fruto das “cabeças ocas” das mulheres e sua insana pretensão de igualdade com o sexo masculino. Ao contrário dos vestidos, que salientavam as curvas femininas para o deleite dos observadores e funcionavam como um artifício de sedução, as saias-calção se aproximavam em demasia do vestuário masculino, logo, do domínio do público, pois ligado à eficiência do mundo do trabalho. Seu uso era percebido, portanto, como um primeiro passo, para se assemelhar, de algum modo, às funções e...

Feminino e modernidade na Fon-Fon

Imagem
  Fon-Fon, 1911, n.14 A revista Fon-Fon produz o feminino, participando discursivamente da construção do gênero na sociedade carioca da belle époque, ao veicular representações da modernidade atravessadas por imagens e significações do feminino. As capas da revista Fon-Fon são um espaço privilegiado de análise. Nelas, as formas femininas aparecem para deleite dos leitores ou como exemplo de elegância a ser seguido por outras mulheres. Assim, para agradar o público feminino, e, principalmente o masculino, a aparência, a exibição ficaria a cargo das mulheres, enquanto aos homens caberia o espaço público, o mundo do trabalho e da força, reforçando uma ideia de desigualdade entre os sexos, escamoteada em uma suposta complementaridade. Lógica que reafirma a partilha de gênero, ao reiterar papéis atribuídos para cada um dos sexos: a inteligência, a competência, o mundo dos negócios destinados ao masculino; a beleza, emoção e sensibilidade, que se tornam caracterís...

Fon-Fon: “leve e ágil” como a vida moderna

Imagem
Capa, revista Fon-Fon , 1912, n. 22. Nesta representação da moderna sociabilidade carioca, homens e mulheres abastados dividem espaço no Teatro Municipal, no Rio de Janeiro.   Em meio a reconfiguração dos hábitos, costumes e espaços no Brasil, engendrada a partir dos novos padrões de “vida moderna” e pelos exemplos europeus, é visível o papel desempenhado pela imprensa nos primeiros anos do século XX. Ela se modificou, acompanhando as mudanças ocasionadas pelas novas tecnologias e pelos novos gostos de seu público leitor, bem como atuou na transformação de comportamentos e leituras de mundo. Vide as revistas ilustradas, publicações deste período, de leitura fácil e agradável, de conteúdo diversificado e que recorriam amplamente às imagens. Ao articularem caricaturas, reportagens e fotografias, estas revistas, também chamadas de “mundanas”, propiciavam seções diversificadas, voltadas cada vez mais ao público feminino, focadas em suas necessidades, na ampliação de seu consumo e com a...