“Quem Ama Não Mata”: Construindo uma vítima “culpada”
Alice com a mãe após almoço de família Em 12 de julho de 1982 estreava a minissérie Quem Ama Não Mata no horário das 22h, na Rede Globo de Televisão, dirigida por Daniel Filho e Dennis Carvalho e escrita por Euclydes Marinho. A obra narrava a história de Jorge (Claudio Marzo) e Alice (Marília Pêra), um “mineiro machão” e uma dona de casa submissa que, entre segredos e omissões, têm um final trágico. Apesar da apropriação do slogan que surgiu em protestos na cidade de Belo Horizonte e da temática do feminicídio, a minissérie não se apresenta como uma produção feminista, deixando evidente que Alice também era culpada por sua morte. O figurino de Alice é construído a partir de signos da feminilidade tradicional. Dona de casa em tempo integral, ela é graduada, mas não trabalha fora. Seu maior sonho é engravidar, mas não consegue – Jorge é infértil e mantém isso em segredo – e se considera menos “mulher” por essa razão. Além disso, é submissa e não dá um passo sem...