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"I'm not okay (i promise)"

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    Screenshot do videoclipe da música “I’m Not Okay (I Promise) da banda My Chemical Romance, 2004 “Eu não estou bem!”  A frase gritada com agonia pelo vocalista da banda My Chemical Romance, em 2004, foi uma das mais importantes para a construção da discussão a respeito da expressão das emoções e cuidados com a saúde mental que o emo trouxe.  No rock, o tema não era novo, mas essa música, tratava do assunto de forma direta, visceral e estourou nas rádios e programas de TV, abrindo espaço para discussões sobre o tema. Mas por que isso importa? Porque o emo, junto com seu lápis de olho preto e franja cobrindo metade do rosto, trouxe também uma nova possibilidade de expressão da masculinidade.  Em geral, as culturas contemporâneas não costumam ser muito receptivas a homens emotivos, há uma certa expectativa a respeito do que se espera do comportamento de um homem, e infelizmente a afinidade pelo emocional não está incluso no pacote. No ocidente as emoçõ...

A maioria das "Claudias" são donas de casa - a família na fotografia de moda em Claudia (1960)

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    Lançada no mercado brasileiro em 1961 e em circulação até os dias atuais, Claudia se desenvolveu imbricada à modernização da sociedade brasileira e a constituição da sociedade de consumo. Voltada para a mulher de classe média alta emergente, a revista vinha com o objetivo de ser um guia para a “mulher moderna”. Entretanto, este ideal de modernidade difundido pela publicação funcionava como um verniz, ou seja, um modelo de feminilidade moderno e cosmopolita na aparência, mas que ainda é marcada pelo ideal de domesticidade da “rainha do lar” do período anterior. Deste modo, a maternidade é um tema recorrente em Claudia. Além de anúncios publicitários de produtos infantis, como alimentos e brinquedos, é possível observar constantemente matérias que buscam orientar, aconselhar, informar sobre a educação desde bebês até adolescência. Segundo Isabella Cosse (2010), a partir dos anos 1960 diversos movimentos incidiram sobre a configuração das identidades masculinas e femini...

A criação de Passarela e o desejo da mulher moderna pt.3

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    “Malhas caem nas malhas” Jornal do Brasil, 23/10/1962, Caderno B, Passarela, p.1 Finalizando a série sobre Gilda Chataignier e Passarela, um dos pontos que eram priorizados pela coluna era a elegância. Segundo Mara Rúbia Sant'Anna as novidades da moda, no início da década de 1960, vinham acompanhadas de uma elegância restrita e, em meados desse período, a tendência era ter o equilíbrio entre arrojo, originalidade e inovação, ou seja, a extravagância passava longe das pautas da moda. As questões relacionadas ao novo em Passarela ficavam por conta dos aspectos internacionais, fosse através da linguagem e do uso de termos internacionais para levar legitimidade à coluna ou das peças de roupas, além das formas que se dirigiam para a construção da mulher moderna. Como vimos anteriormente, o foco geográfico da redação da jornalista era Ipanema e a Zona Sul do Rio de Janeiro que contribuíram para essa construção de mulher moderna carioca e de classe média alta e do desejo de s...

A criação de Passarela e o desejo da mulher moderna pt.2

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    “Elas vão ao casamento” Jornal do Brasil, 09/04/1963, Caderno B, Passarela, p.6 Continuando a série sobre Gilda Chataignier, esse post tratará um pouco do que foi a coluna feminina Passarela, assinada por ela durante 7 anos. Lançada no dia 18 de setembro de 1962  no Caderno B do Jornal do Brasil, a sessão de moda e assuntos femininos,  prometia informar as suas leitoras tudo o que fosse novidade na área de moda.  Na coluna, de publicação praticamente diária, a jornalista levava para suas leitoras matérias relacionadas às novidades da moda daquela época. De início, a jornalista passou a divulgar tudo o que tinha um viés europeu ou norte-americano, uma vez que as produções de moda desses lugares denotavam autoridade e prestígio. Era possível observar a presença do apelo internacional nos produtos de perfumaria, nas roupas e nos acessórios que eram divulgados, assim como nas dicas de como as leitoras deveriam se vestir ou se comportar. Essa estratégia, po...

A criação de Passarela e o desejo da mulher moderna pt. 1

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    Gilda Chataignier por João Cordeiro Junior Quem foi Gilda Chataignier? Qual sua importância para a moda? Como foi sua atuação no Jornal do Brasil? De onde surgiu a ideia de criar uma coluna de moda chamada Passarela? Essas perguntas serão respondidas ao longo de uma série de três posts sobre essa personalidade que fez parte da História da Moda Brasileira.  Escritora e autora de vários livros voltados para a moda como “História da Moda no Brasil”, “50 anos é o máximo” e “Fio a Fio: tecidos, moda e linguagem”, Gilda Maria Carôllo Chataignier nascida no Rio de Janeiro por volta do início dos anos de 1940 e falecida em novembro de 2019, possuía uma relação com a moda que era de família já que era oriunda de uma das famílias que administravam a Fábrica Brasil Industrial, uma das primeiras fábricas de tecidos do Rio de Janeiro, localizada no Paracambi. Falava que foi “criada cercada de paninhos”, seja pelo avô Carlos que era desenhista e a “presenteava com cartelas de...

Gênero, uma categoria útil de análise para pesquisas em moda

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    O gênero é uma ferramenta útil de análise para pesquisas em história da moda. Para tanto, é necessário alinhavar conceitos de teoria de gênero com os estudos da moda. A afirmação de que "roupa não tem gênero" virou um lugar-comum, mas deve ser examinada antes de ser repetida na academia.  O processo de criação e a cadeia de produção de peças de moda são guiados por ideias de gênero. Desde a etapa de pesquisa de moda relativa a tendências e o mercado consumidor, passando pelas atividades de criação de croquis, escolha de materiais e elaboração de planos de coleção, pelo desenvolvimento de moldes a partir de bases de modelagem e tabelas de medida, até a escolha de técnicas de corte, costura e acabamentos. Uma peça de roupa, para ficar pronta, passou por várias escolhas baseadas em previsões sobre o gênero da pessoa que vai usar, e nas concepções de gênero das pessoas envolvidas nessa cadeia. Além disso, a publicidade e as vendas do produto de moda são orientadas p...

Os códigos do figurino da série Andor de Star Wars

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    Cassian Andor, ilustração de Andrey Ryabovichev   A ideia que roupas formam um sistema de comunicação não é nova, Roland Barthes as analisou nas revistas de moda e nos palcos.  Os figurinos de Star Wars nos ajudam a compreender isso, do penteado da princesa Lea às túnicas dos cavaleiros Jedi, aos suntuosos trajes da rainha Amidala criados por Trisha Biggar, constituíram-se signos culturais. A série Andor explora o universo de Star Wars de maneira diferente dos filmes ao tratar a formação da aliança rebelde com uma abordagem a partir da realidade. O caráter político do nascimento da rebelião desponta do proletariado diante da violência policial e do controle burocrático do estado ditatorial.  O roteiro excelente é apoiado no ótimo trabalho de interpretação dos atores, sem, no entanto, ser explicativo. O que faz o figurino criado por Michael Wilkinson parte do sistema narrativo, não para ser apreciado isoladamente, mas analisado em suas intenções. Exempl...