Poiret e Mori: a influência do Japonismo na moda
Paul Poiret. Evening coat, 1912. Créditos: Brooklyn Museum Costume Collection at The Metropolitan Museum of Art, Gift of the Brooklyn Museum, 2009; Purchased with funds given by Mrs. Carl L. Selden, 1985. Fonte: The Metropolitan Museum of Art.
Na transição dos séculos, Poiret se interessou pelas modelagens retangulares dos quimonos, peça fundamental da cultura japonesa, que libertavam o corpo da silhueta apertada vigente devido ao uso de espartilhos. Além disso, utilizou as cores exuberantes e fortes comuns na estética do Japonismo, como o vermelho, o azul, o verde e o amarelo, a fim de estabelecer contrastes inusitados que se destacavam em meio à paleta desbotada da moda dos séculos anteriores. Com o uso de certos recursos de modelagem, Paul conseguiu trazer sensualidade em algumas de suas peças, mesmo que cobrissem grande parte do corpo. Segundo Iwamoto (2016), Poiret, mesmo rejeitando o modernismo, rompeu com o tradicionalismo da Alta Costura ao combinar o orientalismo com as suas ideias ocidentais.
Algumas décadas depois, nos anos de 1960, a criadora japonesa Hanae Mori surgiu no cenário da Alta Costura europeia, sendo a primeira asiática a ser aceita pela Câmara Sindical. Ao contrário dos estilistas japoneses de vanguarda que trouxeram seus estilos desconstruídos, Mori seguiu produzindo coleções tradicionais de Alta Costura que prezavam pelo refinamento, delicadeza e feminilidade, incorporando suas raízes orientais em cada arremate. Sua habilidade era tão apurada, que buscava explorar outros tipos de tecidos para a confecção de roupas, como transformar o tecido destinado para os obis (faixas que amarram os quimonos) em conjuntos de duas peças. Também introduziu uma profusão de cores vibrantes e aspectos sensuais nas silhuetas, além de reproduzir motivos decorativos japoneses em seus designs.
Dessa forma, foi possível observar as semelhanças e diferenças entre as criações ocidentais e a orientais inspiradas pela mesma influência artística.
Por João Vitor Fonseca, @_joaovitorfonseca
Para saber mais:
FUKAI, Akiko. Japonism in Fashion. New York: The Metropolitan Museum of Art, 1994. Disponível em: <http://www.kci.or.jp/research/dresstudy/pdf/e_Fukai_Japonism_in_Fashion.pdf>. Acesso em 17 de jan de 2022.
IWAMOTO, Luciana. A influência japonesa nas artes e na moda europeia na virada do século XX. 2016. 229 f. Dissertação (Mestrado em Ciências – Têxtil e Moda) - Universidade de São Paulo. São Paulo, 2016.
KAWAMURA, Yuniya. A revolução Japonesa na moda de Paris. Fashion Theory: A revista da moda, do corpo e da cultura. Volume 3, Número 2, junho 2004.
PEZZOLO, Dinah Bueno. Moda e arte: releitura no processo de criação. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2013.
SINZATO, Alice Yumi. Relações entre moda e arte: novas possibilidades a partir da moda de vanguarda japonesa. 2011. 89 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) – Curso de Moda, Universidade do Estado de Santa Catarina, Florianópolis, 2011.
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